Muito além de um tempero ou um ingrediente gastronômico, o azeite de oliva é história, cultura, sabor e paixão em forma de alimento, o qual aprendi* a cultivar e admirar desde criança.

*Texto da azeitóloga Ana Tassia Blazoudakis Cavalcante

Filha de pai grego e mãe alemã, cresci nesse meio de riquezas culturais, profusão de sabores e aromas, em que a mesa farta foi e é um dos pontos que nos une até hoje. E nada como uma bela refeição preparada com a dedicação de quem adora uma casa cheia de amigos para saborear e dividir histórias, curiosidades e segredos de fogão. E cozinhar é uma das formas mais prazerosas e saudáveis de demonstrar afeto.

Nessa atmosfera de pessoas que me inspiram e incentivam, a gastronomia tem sido uma das formas de manter um elo entre o divino e o carnal, onde o azeite tem seu lugar cativo, em especial os gregos, por razões afetivas, mas principalmente por suas qualificações de origem e fabricação impecável.

Seja por meio da literatura, em viagens a olivais no Brasil e exterior, nas conversas com azeitólogos e chefs de cozinha, o “ouro líquido”, como é reverenciado mundialmente, é muito mais que um alimento.

O poder do azeite de oliva, Blog Cheftime, por Ana Tassia Blazoudakis

Na antiguidade era usado em rituais religiosos, na confecção de perfumes, na iluminação de lamparinas, na unção de bebês, uma versatilidade sem igual que somente algo precioso poderia proporcionar.

Outro bom motivo é que na rica e saudável dieta mediterrânea encontramos razões de sobra para nos influenciar, pois ela tem no azeite de oliva um de seus maiores representantes, por fornecer nutrientes e propriedades que combatem o envelhecimento e doenças. Tudo isso envolto em aromas e sabores incomparáveis, fazendo uma composição perfeita em saladas, massas, peixes – da entrada ao prato principal -, conquistando os mais exigentes paladares.

E graças a movimentos como slow food propagado além da Europa, temos nos rendido a esse aprendizado de valorização de uma comida mais natural que privilegia a qualidade de vida.

E quanto mais mergulho nesse mundo, mais me encanto por tudo que o envolve. As próprias oliveiras têm seu fascínio, levam décadas para desenvolverem os primeiros frutos, o que exige de quem produz a paciência necessária para colher – o que eu chamaria de sabedoria que vem da terra.

O poder do azeite de oliva. Azeitona na oliveira. Blog Cheftime. Por Ana Tassia Blazoudakis

Levando para o lado mais introspectivo, elas nos ensinam a refletir sobre a importância do respeito ao tempo e à natureza, repensando o quanto a correria do dia a dia pode ser insana. Pois apreciar simples e pequenos prazeres é uma arte.

Que o diga as experiências que pude acompanhar em algumas viagens à Grécia, conhecendo produtores locais, seus olivais e histórias pessoais. Sendo que o mais bonito disso tudo é ver o carinho que têm por suas árvores, muitas delas centenárias, fazendo com que a cultura permaneça, dando oportunidade de trabalho para a comunidade do seu entorno.

Com isso, repassam o orgulho da sua atividade às novas gerações para que estas perpetuem o legado. Isso é sustentabilidade, isso é MERAKI, que em grego significa fazer algo com alma, criatividade e amor!

Por isso, meus amigos, somente algo tão nobre, e ao mesmo tempo tão simples, quanto o azeite de oliva, tem a propriedade de ser eterno, incomparável e insubstituível!

Saiba a diferença entre os tipos de azeite de oliva: extravirgem, virgem e refinado

Azeite de Oliva. Diferença entre os tipos de azeite de oliva: extravirgem, virgem e refinado

Extravirgem: é obtido através da prensagem a frio das azeitonas frescas, corretamente apresentando acidez entre 0,1% e 0,8%. Ainda que a acidez se relacione à qualidade, forma e tempo de processamento, dificilmente é avaliada pelo paladar, mas em laboratório. É o tipo ideal para a gastronomia pela riqueza e intensidade de sabor, aroma e propriedades nutritivas.

Virgem: extraído a partir de azeitonas que não apresentaram níveis baixos de acidez, machucadas ou colhidas tardiamente. Podem ser utilizados para fritar e refogar ou condimentados com ervas e especiarias.

Refinado: também chamado de lampante, esse tipo apresenta os níveis mais altos de acidez e não deve ser utilizado na gastronomia. Costuma ter usos industriais, principalmente.

Confira um delicioso exemplo de receita com azeite aromatizado clicando aqui.

Texto da azeitóloga Ana Tassia Blazoudakis Cavalcante