Pouca gente sabe, mas o Brasil é o terceiro maior consumidor de amaros em todo o mundo. De aromatizantes como a Angostura até o popular Campari, degustar essas bebidas em drinks pode ser um hábito gostoso e, acredite, saudável.

Bitters ou amaros são os nomes genéricos dados às bebidas aromatizadas com substâncias amargas, como casca de laranja, genciana, quinino, entre outras. Fabricados à base de álcool de cereais (neutro), cumprem uma dupla função: a de aperitivos e antiácidos, o que acaba se tornando uma excelente desculpa para seu consumo.

O fato é que essas bebidas de personalidade forte conquistaram o mundo, inclusive o Brasil, que agora só perde para a Itália e Alemanha no ranking de consumo.

O bitter mais famoso do mundo

Dono de uma coloração sedutora, o Campari é o aperitivo mais famoso de todo o mundo. Trata-se de uma bebida seca, com forte sabor de quinino, criada na década de 1860 por Gaspare Campari, em Milão. Nasceu no Caffè Campari, localizado até hoje na Galleria Vittorio Emanuele, bem em frente à catedral de Milão e próxima do teatro Scala.

Seu criador, Gaspare, era filho de uma família bem-sucedida de camponeses, mas rumou para Turim com o objetivo de trabalhar num café. Movido pela ideia fixa de criar uma bebida única na Itália, trabalhou como barman numa das mais conhecidas casas de Turim, o Caffé Liquoreria Bass. Após a trágica morte de sua esposa e filhas, retornou à sua terra natal onde começou a experimentar alquimias diversas.

Em 1856, Gaspare adquiriu o Caffè dell’Amizia, e quatro anos depois inaugurou a Fabrica di Campari Gaspare Liquorista. O bitter só surgiria a partir de 1867 quando Gaspare se mudou para Milão e abriu o Caffè Campari. O nome original da bebida era Bitter uso Olanda (a intenção era estabelecer proximidade com as bebidas holandesas).

Drinks de Chef: sobre Campari e outros bitters - campanhas artistas Campari com Dudovich, Depero, Cappiello, Boccasile e Nizzoli

Mas a bebida cada vez mais se popularizou pela Itália, e através de seu filho Davide, a marca chegaria a um status internacional. Em 1920, Davide se viu obrigado a fechar o bar (mais tarde seria reaberto no mesmo local), para cuidar da empresa que tomava proporções gigantescas.

Um dos principais fatores que levaram à fama da empresa foram campanhas publicitárias desenvolvidas por artistas plásticos como Dudovich, Depero, Cappiello, Boccasile e Nizzoli. Acredita-se, inclusive, que os bitters e vermutes contribuíram para o desenvolvimento visual da publicidade no mundo.

Drinks

Ao longo do século XX, da belle époque aos anos dourados da “Dolce Vitta” de Fellini, apreciou-se Campari como componente de coquetéis. Dentre eles, os clássicos, Garibaldi (2 partes de suco de laranja e uma de Campari), o Americano e o Negroni, que se popularizaram no Harry’s bar de Florença, depois na Itália e daí pelo mundo.

Para quem considera a bebida amarga, existe uma técnica que ameniza essa sensação no paladar. Basta colocar uma casca de laranja dentro da coqueteleira, uma dose de Campari e pedras grandes de gelo. Em seguida, agita-se até praticamente congelar a parte de fora da coqueteleira. O líquido sai mais cremoso e atenua o amargor do aperitivo. Deve-se servir em taça de sherry ou xerez.

Drinks de Chef: sobre Campari e os bitters - Drink Garibaldi
Versão de Garibaldi

Já o Negroni surgiu em Florença, no Café Casoni, derivado de outro coquetel clássico, o Americano, que por sua vez, levava partes iguais de Campari e vermute tinto, meia rodela de laranja e um lance de Club Soda ou Perrier. O conde Camilo Negroni, apreciador de uma bebida mais encorpada, pedia sempre ao barman Fosco Scarselli, uma alquimia “po piú robusto”, para substituir a soda por uma dose de gin. Logo a alquimia se popularizou na Itália com o sobrenome do conde. Mais tarde este coquetel entraria para o livreto da International Bartenders Association.

Agora você pode aproveitar a inspiração para fazer seus próprios drinks com bitters. Saúde!

*Texto por Priscila Urbano